Allém-Frontteiiras - Portuguese - Canadian Newspaper
ANO XII, EDIÇÃO 170
PUBLICAÇÃO MENSAL 31 DE MARÇO DE 2009
Noite de fados em Kitchener
Uma iniciativa arrojada, um espectáculo muito aplaudido e um sucesso total.
Quantas vezes é que em Kitchener houve uma noite de fados?
Poucas, muito poucas, pelo menos que eu me lembre e as que houve, tiveram sempre um palco não muito apropriado ao fado, tal qual se deve ouvir e sentir.
Sim, o fado sente-se e vive-se de forma diferente dos outros tipos de música.
Isto serve para dizer que, antes de começar a relatar o evento, se deve dar os parabéns a quem organizou a grande noite do fado, pelo local escolhido.
Definitivamente o Registry Theater reune todas as condições ideais para que os intérpretes do fado se inspirem e soltem
a voz.
O fado sempre sugeriu locais íntimos, proximidade ao público
e um ângulo de visibilidade que permita perceber a linguagem gestual de quem canta.
O fado, sendo melancólico por natureza, sentimentalista por fatalidade e espelho de um povo por herança, nunca deixou de ser um dos elos mais fortes da nossa identidade.
A terra-mãe que nos viu nascer, sendo madastra, entregou-nos também a cada um de nós, o nosso próprio fado: - o fado da vida, que tem por título “saudade” e é nessa nossa própria interpretação, do fado do dia-a-dia, que nos deixamos embalar pela beleza única da sonoridade da guitarra portuguesa e pela voz cúmplice, de quem apaixonadamente nos conta
mais um episódio da vida real de outrora.
Ao fadista pede-se que, numa simbiose de interpretação vocal e linguagem gestual, nos transmita o que canta.
Entre a colocação da voz e a expressão do corpo, como se de magia se falasse, quem canta prende-nos por completo, transportando-nos de novo, à terra do nosso coração, à terra-mãe do fado.
Não conhecíamos a fadista convidada, vinda do Brasil, Marly Gonçalves.
Apenas e através do “youtube” ouvimos algumas interpretações de temas já conhecidos.
Ficou a curiosidade da actuação ao vivo e a real prova dos nove, como se usava dizer em tempos idos.
Confesso que a surpresa foi completa, não apenas pela presença em palco, sem descuidar o
xaile, pela empatia com o público, mas sobretudo pela voz e pela expressão de fadista.
A sua actuação, dividida em duas partes, foi inteligentemente preparada e tanto convidou à
lágrima no canto do olho, como sugeriu sorrisos de contentamento, tudo em nome da saudade.
Classificamos de muito boa a actuação de Marly Gonçalves e para sempre ficará na memória
dos amantes do fado, a sua passagem pela cidade de Kitchener.
Marly, volte sempre que lhe seja possível, público já tem.
Deixo para último Tony Gouveia.
Não o faço de propósito, faço-o porque assim a minha
linha de pensamento o sugeriu.
A ele (e sua mulher, Elizabete Fortuna) que se deve esta noite memorável de fados.
Não é fácil preparar um evento desta magnitude, desta qualidade, não apenas para nós, portugueses, mas
também para os amantes do fado de outras nacionalidades.
Pode até parecer simples, mas para que tal fosse possível, foi necessário muita coragem e muita coordenação,
isto se pensarmos que foi efectuado fora da esfera da comunidade portuguesa.
Sobre o Tony Gouveia, já noutras ocasiões, teci os elogios que, em cada uma das actuações em que estive presente,
Entendi serem fiéis ao que em palco se passou.
Sobre a sua actuação no Registry Theatre, também ela bem coordenada e com temas sabiamente escolhidos, chegou ao
público, com subtileza.
Não é preciso ser exuberante, mas expressivo.
Não é necessário exagero, mas ser modesto.
Não é imperioso ser o que se não é, mas sim ser-se aquilo que se é.
Por outras palavras, ser igual a si próprio.
Relativamente ao que acabo de dizer, sinto que houve um crescimento assinalável na interpretação,
uma presença em palco mais cuidada e um “casamento” perfeito no contexto do quadrodo fado que nos pintaram e nos
ensinaram a ver e ouvir.
Tony Gouveia, nesta sua nova carreira de fadista, tem um futuro todo à sua espera, que se pode coroar de êxitos.
Desde a sua postura, à inovação, igual a muitos dos novos intérpretes do fado, confirma-nos um excelente
embaixador do fado em terras do Canadá.
Uma palavra de elevado apreço para os músicos fantásticos, que acompanharam os fadistas.
Por tudo isto, louvamos esta iniciativa arrojada, aplaudimos o espectáculo e testemunhamos o sucesso.
Inácio Mota
PUBLICAÇÃO MENSAL 31 DE MARÇO DE 2009
Noite de fados em Kitchener
Uma iniciativa arrojada, um espectáculo muito aplaudido e um sucesso total.
Quantas vezes é que em Kitchener houve uma noite de fados?
Poucas, muito poucas, pelo menos que eu me lembre e as que houve, tiveram sempre um palco não muito apropriado ao fado, tal qual se deve ouvir e sentir.
Sim, o fado sente-se e vive-se de forma diferente dos outros tipos de música.
Isto serve para dizer que, antes de começar a relatar o evento, se deve dar os parabéns a quem organizou a grande noite do fado, pelo local escolhido.
Definitivamente o Registry Theater reune todas as condições ideais para que os intérpretes do fado se inspirem e soltem
a voz.
O fado sempre sugeriu locais íntimos, proximidade ao público
e um ângulo de visibilidade que permita perceber a linguagem gestual de quem canta.
O fado, sendo melancólico por natureza, sentimentalista por fatalidade e espelho de um povo por herança, nunca deixou de ser um dos elos mais fortes da nossa identidade.
A terra-mãe que nos viu nascer, sendo madastra, entregou-nos também a cada um de nós, o nosso próprio fado: - o fado da vida, que tem por título “saudade” e é nessa nossa própria interpretação, do fado do dia-a-dia, que nos deixamos embalar pela beleza única da sonoridade da guitarra portuguesa e pela voz cúmplice, de quem apaixonadamente nos conta
mais um episódio da vida real de outrora.
Ao fadista pede-se que, numa simbiose de interpretação vocal e linguagem gestual, nos transmita o que canta.
Entre a colocação da voz e a expressão do corpo, como se de magia se falasse, quem canta prende-nos por completo, transportando-nos de novo, à terra do nosso coração, à terra-mãe do fado.
Não conhecíamos a fadista convidada, vinda do Brasil, Marly Gonçalves.
Apenas e através do “youtube” ouvimos algumas interpretações de temas já conhecidos.
Ficou a curiosidade da actuação ao vivo e a real prova dos nove, como se usava dizer em tempos idos.
Confesso que a surpresa foi completa, não apenas pela presença em palco, sem descuidar o
xaile, pela empatia com o público, mas sobretudo pela voz e pela expressão de fadista.
A sua actuação, dividida em duas partes, foi inteligentemente preparada e tanto convidou à
lágrima no canto do olho, como sugeriu sorrisos de contentamento, tudo em nome da saudade.
Classificamos de muito boa a actuação de Marly Gonçalves e para sempre ficará na memória
dos amantes do fado, a sua passagem pela cidade de Kitchener.
Marly, volte sempre que lhe seja possível, público já tem.
Deixo para último Tony Gouveia.
Não o faço de propósito, faço-o porque assim a minha
linha de pensamento o sugeriu.
A ele (e sua mulher, Elizabete Fortuna) que se deve esta noite memorável de fados.
Não é fácil preparar um evento desta magnitude, desta qualidade, não apenas para nós, portugueses, mas
também para os amantes do fado de outras nacionalidades.
Pode até parecer simples, mas para que tal fosse possível, foi necessário muita coragem e muita coordenação,
isto se pensarmos que foi efectuado fora da esfera da comunidade portuguesa.
Sobre o Tony Gouveia, já noutras ocasiões, teci os elogios que, em cada uma das actuações em que estive presente,
Entendi serem fiéis ao que em palco se passou.
Sobre a sua actuação no Registry Theatre, também ela bem coordenada e com temas sabiamente escolhidos, chegou ao
público, com subtileza.
Não é preciso ser exuberante, mas expressivo.
Não é necessário exagero, mas ser modesto.
Não é imperioso ser o que se não é, mas sim ser-se aquilo que se é.
Por outras palavras, ser igual a si próprio.
Relativamente ao que acabo de dizer, sinto que houve um crescimento assinalável na interpretação,
uma presença em palco mais cuidada e um “casamento” perfeito no contexto do quadrodo fado que nos pintaram e nos
ensinaram a ver e ouvir.
Tony Gouveia, nesta sua nova carreira de fadista, tem um futuro todo à sua espera, que se pode coroar de êxitos.
Desde a sua postura, à inovação, igual a muitos dos novos intérpretes do fado, confirma-nos um excelente
embaixador do fado em terras do Canadá.
Uma palavra de elevado apreço para os músicos fantásticos, que acompanharam os fadistas.
Por tudo isto, louvamos esta iniciativa arrojada, aplaudimos o espectáculo e testemunhamos o sucesso.
Inácio Mota
Biografia
Marly Gonçalves
Nasceu na cidade de Santos (São Paulo – Brasil)
Filha do casal de portugueses, Armando Gonçalves e Maria Odete Antunes, que vieram para o Brasil na década de 50, provenientes da Lousã (Coimbra - Portugal).
Com apenas três anos de idade, sentada no balcão da padaria de seus pais, a menina loirinha de olhos verdes, já encantava os fregueses ao cantarolar fados.
Trancada no quarto, colocava os discos de Amália Rodrigues trazidos pela mãe.
- “Minha mãe gostava de me ouvir cantar, e pedia para eu aprender as músicas”.
Foi assim que foi tomando o gosto, passando a se dedicar ao fado, que adorava.
Por volta dos 12 anos, cantava em festas escolares, e em reuniões de amigos e familiares.
Mas só mais de duas décadas depois, no dia 19 de Agosto de 1995, é que inicia a sua carreira profissional, se apresentando em um show no Mendes Plaza em Santos,.
O que era de brincadeira, acabou se tornando profissional.
A partir dessa apresentação, os convites não pararam mais. Apresentou-se para a colônia Luso-Brasileira em várias casas da região e da capital paulista.
Um dos importantes impulsos que a sua carreira recebeu, foi o convite do cantor português Roberto Leal, para se apresentar em seu restaurante Marquês de Marialva, em São Paulo, onde recebeu elogios de pessoas como Pelé, Simonal, Joana, Juca Chaves, Wanderléia, e Pepita Rodrigues, entre outras.
Tal sucesso repentino, valeu-lhe vários prêmios, culminando em 1998, com o Jubileu de Prata do “Troféu Brás Cubas”, onde lhe foi atribuído o “Prémio de Melhor Cantora de Fado”. Estava assim definitivamente lançada, sua carreira de fadista.
Claro que tamanho sucesso, não podia passar sem um registro, para deliciar os seus muitos admiradores, pelo que no ano de 2000, lança seu primeiro CD “MARLY GONÇALVES – Recria 16 sucessos da música portuguesa”, obtendo elevada aceitação do público e da crítica.
Marly Gonçalves, está já preparando o lançamento do seu próximo CD, que deverá acontecer no início de 2008.
Nasceu na cidade de Santos (São Paulo – Brasil)
Filha do casal de portugueses, Armando Gonçalves e Maria Odete Antunes, que vieram para o Brasil na década de 50, provenientes da Lousã (Coimbra - Portugal).
Com apenas três anos de idade, sentada no balcão da padaria de seus pais, a menina loirinha de olhos verdes, já encantava os fregueses ao cantarolar fados.
Trancada no quarto, colocava os discos de Amália Rodrigues trazidos pela mãe.
- “Minha mãe gostava de me ouvir cantar, e pedia para eu aprender as músicas”.
Foi assim que foi tomando o gosto, passando a se dedicar ao fado, que adorava.
Por volta dos 12 anos, cantava em festas escolares, e em reuniões de amigos e familiares.
Mas só mais de duas décadas depois, no dia 19 de Agosto de 1995, é que inicia a sua carreira profissional, se apresentando em um show no Mendes Plaza em Santos,.
O que era de brincadeira, acabou se tornando profissional.
A partir dessa apresentação, os convites não pararam mais. Apresentou-se para a colônia Luso-Brasileira em várias casas da região e da capital paulista.
Um dos importantes impulsos que a sua carreira recebeu, foi o convite do cantor português Roberto Leal, para se apresentar em seu restaurante Marquês de Marialva, em São Paulo, onde recebeu elogios de pessoas como Pelé, Simonal, Joana, Juca Chaves, Wanderléia, e Pepita Rodrigues, entre outras.
Tal sucesso repentino, valeu-lhe vários prêmios, culminando em 1998, com o Jubileu de Prata do “Troféu Brás Cubas”, onde lhe foi atribuído o “Prémio de Melhor Cantora de Fado”. Estava assim definitivamente lançada, sua carreira de fadista.
Claro que tamanho sucesso, não podia passar sem um registro, para deliciar os seus muitos admiradores, pelo que no ano de 2000, lança seu primeiro CD “MARLY GONÇALVES – Recria 16 sucessos da música portuguesa”, obtendo elevada aceitação do público e da crítica.
Marly Gonçalves, está já preparando o lançamento do seu próximo CD, que deverá acontecer no início de 2008.
Fado
A alma do fado na Baixada Santista
A Casa da Madeira de Santos organiza no próximo dia 09 de agosto a “Grande Noite do Fado”, com a participação da fadista Marly Gonçalves.
Por Ronaldo AndradePara Mundo Lusíada
Ronaldo Andrade
Fadista Marly Gonçalves na Casa da Madeira de Santos.
Desde cedo a santista Marly Gonçalves tem o fado na alma. Nas veias, corre o sangue lusitano – o pai era de Lousã, distrito de Coimbra, onde sua mãe, brasileira, foi morar.
Aos três anos de idade, a futura fadista, na padaria de seus pais, em Santos, sentava-se ao balcão e punha-se a cantar fados.
Os fregueses ficavam maravilhados com tamanha desenvoltura, desenvolvida no quarto de casa com as músicas de Amália Rodrigues.
Por volta dos 12 anos apresentava-se nas festas promovidas pelo colégio e em reuniões de familiares e amigos.
Mas foi somente em 1995, em um evento do grupo Amigos do Fado, que Marly passou a cantar com mais afinco, não parando mais desde então, com apresentações na cidade, na Baixada Santista e também em alguns estados do país.
Seu esforço foi premiado: logo no início da carreira ganhou uma bandeja de prata, com a inscrição: “Marly Gonçalves, a revelação do Fado”.
Em 1998, recebeu o Jubileu de Prata do Troféu Brás Cubas, por ser a melhor cantora de fados no Brasil.
Mas o melhor estava por vir: no ano seguinte, ao fim de uma apresentação no Centro Português de Santos, ganhou um bilhete aéreo para conhecer Portugal, onde durante dois meses cantou nas casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa.
“Fui muito bem recebida, aplaudida de pé nas apresentações que realizei”, recorda Marly, citando as adegas Machado, Luso, Severa e Mesquita.
Uma passagem que marca para sempre sua estada por terras lusas foi quando se encontrou com Carlos Gonçalves, guitarrista da Amália, que agendou uma entrevista com a mítica Rainha do Fado.
Entretanto, dois dias antes do encontro, quando Marly se dirigia para o Porto, uma notícia ouvida no rádio desfez o sonho: Amália Rodrigues falecia, em 06 de outubro de 1999, deixando órfãos inúmeros fãs espalhados em Portugal e no mundo.
Marly admira fadistas como Mariza, Ana Moura e Ana Sofia Varela.
Em 2000, lançou seu primeiro CD, “Marly Gonçalves - Recria 16 sucessos da música portuguesa”, e já planeja o segundo. Desta forma, ela reafirma seu objetivo: “Cantar o fado e divulgar a cultura portuguesa no Brasil e citando uma conhecida canção, finaliza: “Cantarei até que a voz me doa”.
A Grande Noite do Fado A Casa da Madeira de Santos organiza no próximo dia 09 de agosto a “Grande Noite do Fado”.
O evento terá a apresentação do cantor e tecladista Fábio Salgado, acompanhado pela cantora Priscila Suzuki, que interpretarão sucessos da Bossa Nova, MPB e músicas internacionais.
Em seguida, o espetáculo fica por conta da fadista Marly Gonçalves, que terá a companhia de Ricardo Araújo (guitarra), José Carlos (violão) e Renato Araújo (baixo).
O repertório será composto por canções como Fado da Ilha da Madeira, Mouraria e Coimbra.
No cardápio do evento, queijo e vinho.
Os convites – no total de quase 300 convidados – já estão esgotados.
Na noite serão homenageadas a musicista Glorinha Veloso e a professora-doutora Clotilde Paul, pela apresentação musical e palestra apresentadas, respectivamente, no mês passado, devido ao 32º Aniversário da Autonomia da Região Autônoma da Madeira.
http://www.mundolusiada.com.br/COMUNIDADE/comu335_ago08.htm
A alma do fado na Baixada Santista
A Casa da Madeira de Santos organiza no próximo dia 09 de agosto a “Grande Noite do Fado”, com a participação da fadista Marly Gonçalves.
Por Ronaldo AndradePara Mundo Lusíada
Ronaldo Andrade
Fadista Marly Gonçalves na Casa da Madeira de Santos.
Desde cedo a santista Marly Gonçalves tem o fado na alma. Nas veias, corre o sangue lusitano – o pai era de Lousã, distrito de Coimbra, onde sua mãe, brasileira, foi morar.
Aos três anos de idade, a futura fadista, na padaria de seus pais, em Santos, sentava-se ao balcão e punha-se a cantar fados.
Os fregueses ficavam maravilhados com tamanha desenvoltura, desenvolvida no quarto de casa com as músicas de Amália Rodrigues.
Por volta dos 12 anos apresentava-se nas festas promovidas pelo colégio e em reuniões de familiares e amigos.
Mas foi somente em 1995, em um evento do grupo Amigos do Fado, que Marly passou a cantar com mais afinco, não parando mais desde então, com apresentações na cidade, na Baixada Santista e também em alguns estados do país.
Seu esforço foi premiado: logo no início da carreira ganhou uma bandeja de prata, com a inscrição: “Marly Gonçalves, a revelação do Fado”.
Em 1998, recebeu o Jubileu de Prata do Troféu Brás Cubas, por ser a melhor cantora de fados no Brasil.
Mas o melhor estava por vir: no ano seguinte, ao fim de uma apresentação no Centro Português de Santos, ganhou um bilhete aéreo para conhecer Portugal, onde durante dois meses cantou nas casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa.
“Fui muito bem recebida, aplaudida de pé nas apresentações que realizei”, recorda Marly, citando as adegas Machado, Luso, Severa e Mesquita.
Uma passagem que marca para sempre sua estada por terras lusas foi quando se encontrou com Carlos Gonçalves, guitarrista da Amália, que agendou uma entrevista com a mítica Rainha do Fado.
Entretanto, dois dias antes do encontro, quando Marly se dirigia para o Porto, uma notícia ouvida no rádio desfez o sonho: Amália Rodrigues falecia, em 06 de outubro de 1999, deixando órfãos inúmeros fãs espalhados em Portugal e no mundo.
Marly admira fadistas como Mariza, Ana Moura e Ana Sofia Varela.
Em 2000, lançou seu primeiro CD, “Marly Gonçalves - Recria 16 sucessos da música portuguesa”, e já planeja o segundo. Desta forma, ela reafirma seu objetivo: “Cantar o fado e divulgar a cultura portuguesa no Brasil e citando uma conhecida canção, finaliza: “Cantarei até que a voz me doa”.
A Grande Noite do Fado A Casa da Madeira de Santos organiza no próximo dia 09 de agosto a “Grande Noite do Fado”.
O evento terá a apresentação do cantor e tecladista Fábio Salgado, acompanhado pela cantora Priscila Suzuki, que interpretarão sucessos da Bossa Nova, MPB e músicas internacionais.
Em seguida, o espetáculo fica por conta da fadista Marly Gonçalves, que terá a companhia de Ricardo Araújo (guitarra), José Carlos (violão) e Renato Araújo (baixo).
O repertório será composto por canções como Fado da Ilha da Madeira, Mouraria e Coimbra.
No cardápio do evento, queijo e vinho.
Os convites – no total de quase 300 convidados – já estão esgotados.
Na noite serão homenageadas a musicista Glorinha Veloso e a professora-doutora Clotilde Paul, pela apresentação musical e palestra apresentadas, respectivamente, no mês passado, devido ao 32º Aniversário da Autonomia da Região Autônoma da Madeira.
http://www.mundolusiada.com.br/COMUNIDADE/comu335_ago08.htm
Alfama
Ary dos Santos / Alain Oulman
Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas
Alfama toda parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece
É numa água-furtada
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto
Quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade
Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade
Alfama não cheira a fado
Cheira a povo, a solidão,
Cheira a silêncio magoado
Sabe a tristeza com pão
Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção

Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas
Alfama toda parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece
É numa água-furtada
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto
Quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade
Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade
Alfama não cheira a fado
Cheira a povo, a solidão,
Cheira a silêncio magoado
Sabe a tristeza com pão
Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção

Foi Deus
Alberto Janes
Não sei, não sabe ninguém
Porque canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
E deu-me esta voz a mim
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul
Às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à Primavera
E deu-me esta voz a mim
Não sei, não sabe ninguém
Porque canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
E deu-me esta voz a mim
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul
Às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à Primavera
E deu-me esta voz a mim
Lisboa menina e moça
Ary dos Santos e Paulo de Carvalho
No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem, tão pura
Teus seios são as colinas, varinas
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varinas
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem, tão pura
Teus seios são as colinas, varinas
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varinas
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Meu amor é marinheiro
Manuel Alegre / Alain Oulman
Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode agarrar
Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Meu coração um navio
Meu amor
Disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E os cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade
Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira
Eu vivo lá longe, longe
Onde moram os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos rios
Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias
Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Coração que nasceu livre
Não se pode acorrentar
Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode agarrar
Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Meu coração um navio
Meu amor
Disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E os cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade
Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira
Eu vivo lá longe, longe
Onde moram os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos rios
Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias
Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Coração que nasceu livre
Não se pode acorrentar
Minha boca não se atreve
Música de Fontes Rocha
Não se atreve a minha boca
Que eu não a deixo atrever
A dizer que eu ando louca
Que ando louca por te ver
Não se atreve a minha boca
Ao grito que eu quero dar
Não se atreve a minha boca
Que eu não a deixo gritar
Minha boca não se atreve
Não segue o meu coração
E não diz o que não deve
É a minha expiação
Minha boca não se atreve
A dizer o que lhe digo
Se ela se atrever em breve
Sabes que sonho contigo
Ai minha boca atrevida
Tu já mo disseste a mim
Que encheste a minha vida
Desse segredo ruim
Não se atreve a minha boca
Que eu não a deixo atrever
A dizer que eu ando louca
Que ando louca por te ver
Não se atreve a minha boca
Ao grito que eu quero dar
Não se atreve a minha boca
Que eu não a deixo gritar
Minha boca não se atreve
Não segue o meu coração
E não diz o que não deve
É a minha expiação
Minha boca não se atreve
A dizer o que lhe digo
Se ela se atrever em breve
Sabes que sonho contigo
Ai minha boca atrevida
Tu já mo disseste a mim
Que encheste a minha vida
Desse segredo ruim
Negro Xaile
Autor: Jorge Fernando
Põe o negro xaile
Solto nos meus ombros
Que eu quero cantar
Porque em tuas mãos
Há uma guitarra
Pronta p’ra trinar
Estranhas ouvir o meu fado
Falar de saudade
E dizes que é triste demais
Para a minha idade
Mas sei que é meu destino
Cantar nosso fado
Que já a minha alma invade
Por isso
Põe o negro xaile
Solto nos meus ombros
Que eu quero cantar
Porque em tuas mãos
Há uma guitarra
Pronta p’ra trinar
Em sonhos, ouvi uma voz
Murmurar-me um fado
Timbrada, dizia-me assim:
- Vou estar a teu lado
Então, pensei que essa voz
Fosse a minha alma
Ou a voz do próprio fado
Por isso
Põe o negro xaile
Solto nos meus ombros
Que eu quero cantar
Porque em tuas mãos
Há uma guitarra
Pronta p’ra trinar

Põe o negro xaile
Solto nos meus ombros
Que eu quero cantar
Porque em tuas mãos
Há uma guitarra
Pronta p’ra trinar
Estranhas ouvir o meu fado
Falar de saudade
E dizes que é triste demais
Para a minha idade
Mas sei que é meu destino
Cantar nosso fado
Que já a minha alma invade
Por isso
Põe o negro xaile
Solto nos meus ombros
Que eu quero cantar
Porque em tuas mãos
Há uma guitarra
Pronta p’ra trinar
Em sonhos, ouvi uma voz
Murmurar-me um fado
Timbrada, dizia-me assim:
- Vou estar a teu lado
Então, pensei que essa voz
Fosse a minha alma
Ou a voz do próprio fado
Por isso
Põe o negro xaile
Solto nos meus ombros
Que eu quero cantar
Porque em tuas mãos
Há uma guitarra
Pronta p’ra trinar

Saudades do Brasil em Portugal
Vinicius de Morais / Homem Cristo
O sal
Das minhas lágrimas de amor
Criou o mar
Que existe entre nós dois
P'ra nos unir e separar
Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração
Nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal
Meu bem
Sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi
O sal
Das minhas lágrimas de amor
Criou o mar
Que existe entre nós dois
P'ra nos unir e separar
Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração
Nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal
Meu bem
Sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi
Uma casa portuguesa
Matos Sequeira /Artur Fonseca /Reinaldo Ferreira
Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se à porta humildemente bate alguém
Senta-se à mesa com a gente
Fica bem essa franqueza, fica bem
Que o povo nunca desmente
A alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar e ficar contente
Refrão
Quatro paredes caiadas
Um cheirinho a alecrim
Um cacho de uvas doiradas
Duas rosas num jardim
Um São José de azulejos
Mais o sol da Primavera
Uma promessa de beijos
Dois braços à minha espera
É uma casa portuguesa, com certeza
É com certeza, uma casa portuguesa!
No conforto pobrezinho do meu lar
Há fartura de carinho
E a cortina da janela é o luar
Mais o sol que bate dela
Basta um pouco,
Poucochinho p'ra alegrar
Uma existência singela
É só amor, pão e vinho
E um caldo verde, verdinho
A fumegar na tijela
Refrão
Quatro paredes caiadas
Um cheirinho a alecrim
etç...etç...
Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se à porta humildemente bate alguém
Senta-se à mesa com a gente
Fica bem essa franqueza, fica bem
Que o povo nunca desmente
A alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar e ficar contente
Refrão
Quatro paredes caiadas
Um cheirinho a alecrim
Um cacho de uvas doiradas
Duas rosas num jardim
Um São José de azulejos
Mais o sol da Primavera
Uma promessa de beijos
Dois braços à minha espera
É uma casa portuguesa, com certeza
É com certeza, uma casa portuguesa!
No conforto pobrezinho do meu lar
Há fartura de carinho
E a cortina da janela é o luar
Mais o sol que bate dela
Basta um pouco,
Poucochinho p'ra alegrar
Uma existência singela
É só amor, pão e vinho
E um caldo verde, verdinho
A fumegar na tijela
Refrão
Quatro paredes caiadas
Um cheirinho a alecrim
etç...etç...
Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Domingo, 29 de Junho de 2008
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
"Abril em Portugal"
"A Tribuna" - Comentário do evento "Foi realizado, em 12 de Abril, nas dependências da Sociedade União Portuguesa , a festa "Abril em Portugal".
Comidas típicas (regadas com o tradicional vinho português)foram saboreadas por portugueses e luso-brasileiros, em momentos agradáveis de saudosismo.
A música, símbolo da nacionalidade portuguesa é o Fado (fatum) que significa destino inexorável, que nada pode mudar.
Um xale, uma guitarra, uma voz melancólica e muito sentimento.
"Tudo isto é fado" entoado sob uma luz fraca e sob o pedido de: "Silêncio que se vai cantar o fado" (é assim que começam as noites em Lisboa).
Marly Gonçalves, conhecidíssima fadista luso-brasileira, emocionou a todos que lá compareceram, interpretando sucessos de Amália Rodrigues, como "Tudo isso é fado" (Almas vencidas/ Noites perdidas/ Sombras bizarras/Na Mouraria/ Canta um rufia/ Choram guitarras/ Amor ciúme/ Cinzas e lume/ Dor e pecado/Tudo isso existe/ Tudo isto é triste/Tudo isso é fado".
De parabéns o casal presidente, José Duarte e Fátima, bem como toda a diretoria daquela Sociedade Portuguesa, pelo carinho com que tratam a velha lusitania, Manoel Ramos e Neide Ramos"
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Entrevista de Marly ao Jornal Trevim - Lousã - Portugal

Filha de emigrantes lousanenses canta o fado desde criança.
Marly Gonçalves encanta no Brasil.
O fado desde cedo tomou conta da vida de Marly Gonçalves, uma fadista nascida em Santos, mas filha de um casal de lousanenses.
Armando Gonçalves e Maria Odete Nunes deixaram Vilarinho na década de 50, mas levaram para o Brasil raízes muito portuguesas.
Com apenas três anos de idade, sentada no balcão da padaria dos seus pais, a menina loirinha de olhos verdes começou a cantarolar o fado e o que era brincadeira acabou por se tornar numa profissão, estreando-se no dia 19 de Agosto de 1995, num espectáculo no Mendes Plaza, em Santos.
Marly Gonçalves que já recebeu um convite para cantar no restaurante de Roberto Leal e elogios de Pelé e Joana explica ao Trevim a sua ligação ao fado, numa altura em que ultima pormenores para o lancamento do seu segundo CD.
(T): Como é que surge a ligação de Marly Gonçalves ao fado? Nasce-se fadista?
(MG): A minha mãe gostava muito de me ouvir cantar, e então trancada no meu quarto, punha-me a escutar os discos de vinil da Amália Rodrigues, trazidos pela minha mãe, e que me pedia para aprendê-las. Assim, fui fazendo o meu repertório, sem nunca imaginar que um dia passaria a ser uma intérprete do fado e da música portuguesa. O amor pelo fado cresceu dentro de mim, e com tanta força que hoje não me consigo imaginar longe deste caminho, deste elo, o fado.
(T): Mas porquê o fado e não outro registo musical?
(MG): Na verdade também gosto e canto música popular brasileira, mas identifiquei-me mais com o fado. O fado é muito mais que um estilo musical é uma canção pura de emoção, toca muito mais nos sentimentos. É através da poesia que cantámos, com muita beleza e detalhes, tudo aquilo que nos vai na alma.
(T): Sempre teve a noção que queria trabalhar em música, ou as coisas foram acontecendo um pouco por acaso?
(MG): Desde menina que brincava muito a cantarolar, e eu era a única a cantar músicas portuguesas, o que levava as minhas amigas de infância a rir, mas nunca dei importância e levava isto tão a sério para mim mesma que no colégio, quando havia festas eu apresentava-me a cantar fados.
(T): Qual é o sentimento que a une ao fado e o que transparece quando canta?
(MG): Ao cantar o fado vivo intensamente a poesia da letra e a melodia transporta-me aos lugares que nunca estive, é uma viagem de pura emoção.
(T): Como é que os brasileiros sentem o fado?
(MG): O povo brasileiro é movido de muita esperança, coragem e emoção. E a música é a terapia da alma e o brasilero vê no fado o remédio para as suas decepções e os desamores na vida.
(T): Pode-se assim dizer que o fado é uma linguagem universal?
(MG): Vendo as coisas pelo lado em que o tema forte da canção portuguesa é o amor em todos os seus sentimentos, acredito que sim, é mesmo uma linguagem universal.
(T): No ano de 2000 lançou o seu primeiro disco e tornou-se, provavelmente, na primeira luso-brasileira a cantar fado. Foi difícil sentir a responsabilidade de uma carreira que estava a nascer?(MG): Na verdade, quando lancei o meu primeiro cd já existiam cantoras aqui no Brasil a divulgar a música portuguesa. Porém, quando este momemto aconteceu na minha vida, a responsabilidade de divulgar uma cultura levou-me a querer estudar, ainda mais a fundo, as tradições das coisas portuguesas, para que eu pudesse estar à altura do compromisso assumido, corresponder ao meu público e mostrar muita seriedade no trabalho desenvolvido. É lógico que a música portuguesa no mercado não é tão fácil como outros estilos musicais, as dificuldades existem, mas se nós acreditarmos no que fazemos, e que fazemos com amor...tudo vale a pena, quando a alma não é pequena!
(T): O facto de viver no Brasil, longe das origens do fado, faz com que as pessoas olhem de outra forma para a sua carreira?
(MG): Não. Quando me apresento nos espectáculos procuro levar ao público as verdadeiras tradições portuguesas. Desde a maneira de vestir, do cantar, até à celebre chamada, silêncio que se vai cantar o fado, tudo é respeitado.Entra-se num clima total de entrega à música portuguesa, e as lembranças das pessoas, em cada fado que canto, demonstra-se através das lágrimas e na emoção que o público sente. E no final dos espectáculos fico muito satisfeita quando as pessoas me procuram, e para além dos abraços, elogiam o meu trabalho com frases do género, “és uma verdadeira portuguesa a cantar”. Isto é uma emoção muito grande para mim e deixa-me com a sensação de missão cumprida.
(T): Apesar disso a Marly Gonçalves já recebeu alguns prémios de referência?
(MG): Sim. Em 1995, logo no início da minha carreira fui premiada com uma bandeja de prata, que guardo com muito carinho, com os seguintes dizeres: “Marly Gonçalves a revelação do Fado”. Depois em 1998 recebi o Jubileu de Prata do Troféu Brás Cubas, por ser a melhor cantora de fados no Brasil. Em 1999, no fim do espectáculo no Centro Português de Santos, a minha cidade, recebi um convite para ir a Portugal, durante dois meses, para cantar nas casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa. Enfim, a cada apresentação eu sinto-me cada vez mais premiada, seja pelos troféus, ou os simples aplausos, mas o carinho do público é sem dúvida nenhuma o melhor prémio que se pode receber.
(T): Após um hiato de 8 anos vai sair agora um novo álbum. Que novidades é que já podem ser reveladas?
(MG): Por enquanto, continuo em fase de negociação com os patrocionadores para um segundo cd, mas estou já a trabalhar nele e a esboçar as músicas que irei colocar neste segundo álbum. Para já não posso adiantar muito mais.
(T): Para quando um concerto aqui na Lousã, a terra de origem dos seus pais?
(MG): Bom, isso tudo depende de um convite dos lousanenses. Certamente vou saber esperar, embora que anciosamente. Talvez depois do lançamento do segundo CD a oportunidade surja. Entretanto resta-me continuar a divulgar a música portuguesa, por quase todos os estados brasileiros.
(T): A terminar gostaria de deixar alguma mensagem?
(MG): É claro que sim. Ao jornal Trevim o meu muito obrigada pela oportunidade para a divulgação do meu trabalho. Pedindo de todo o coração que nunca deixem de usar este veículo de comunicação para estreitar cada vez mais a distância de duas pátrias irmãs, o Brasil e Portugal. E aos lousanenses o meu sincero respeito e carinho desta filha adoptada.
Jorge M. Alexandre 19 Março 2008
Marly Gonçalves encanta no Brasil.
O fado desde cedo tomou conta da vida de Marly Gonçalves, uma fadista nascida em Santos, mas filha de um casal de lousanenses.
Armando Gonçalves e Maria Odete Nunes deixaram Vilarinho na década de 50, mas levaram para o Brasil raízes muito portuguesas.
Com apenas três anos de idade, sentada no balcão da padaria dos seus pais, a menina loirinha de olhos verdes começou a cantarolar o fado e o que era brincadeira acabou por se tornar numa profissão, estreando-se no dia 19 de Agosto de 1995, num espectáculo no Mendes Plaza, em Santos.
Marly Gonçalves que já recebeu um convite para cantar no restaurante de Roberto Leal e elogios de Pelé e Joana explica ao Trevim a sua ligação ao fado, numa altura em que ultima pormenores para o lancamento do seu segundo CD.
(T): Como é que surge a ligação de Marly Gonçalves ao fado? Nasce-se fadista?
(MG): A minha mãe gostava muito de me ouvir cantar, e então trancada no meu quarto, punha-me a escutar os discos de vinil da Amália Rodrigues, trazidos pela minha mãe, e que me pedia para aprendê-las. Assim, fui fazendo o meu repertório, sem nunca imaginar que um dia passaria a ser uma intérprete do fado e da música portuguesa. O amor pelo fado cresceu dentro de mim, e com tanta força que hoje não me consigo imaginar longe deste caminho, deste elo, o fado.
(T): Mas porquê o fado e não outro registo musical?
(MG): Na verdade também gosto e canto música popular brasileira, mas identifiquei-me mais com o fado. O fado é muito mais que um estilo musical é uma canção pura de emoção, toca muito mais nos sentimentos. É através da poesia que cantámos, com muita beleza e detalhes, tudo aquilo que nos vai na alma.
(T): Sempre teve a noção que queria trabalhar em música, ou as coisas foram acontecendo um pouco por acaso?
(MG): Desde menina que brincava muito a cantarolar, e eu era a única a cantar músicas portuguesas, o que levava as minhas amigas de infância a rir, mas nunca dei importância e levava isto tão a sério para mim mesma que no colégio, quando havia festas eu apresentava-me a cantar fados.
(T): Qual é o sentimento que a une ao fado e o que transparece quando canta?
(MG): Ao cantar o fado vivo intensamente a poesia da letra e a melodia transporta-me aos lugares que nunca estive, é uma viagem de pura emoção.
(T): Como é que os brasileiros sentem o fado?
(MG): O povo brasileiro é movido de muita esperança, coragem e emoção. E a música é a terapia da alma e o brasilero vê no fado o remédio para as suas decepções e os desamores na vida.
(T): Pode-se assim dizer que o fado é uma linguagem universal?
(MG): Vendo as coisas pelo lado em que o tema forte da canção portuguesa é o amor em todos os seus sentimentos, acredito que sim, é mesmo uma linguagem universal.
(T): No ano de 2000 lançou o seu primeiro disco e tornou-se, provavelmente, na primeira luso-brasileira a cantar fado. Foi difícil sentir a responsabilidade de uma carreira que estava a nascer?(MG): Na verdade, quando lancei o meu primeiro cd já existiam cantoras aqui no Brasil a divulgar a música portuguesa. Porém, quando este momemto aconteceu na minha vida, a responsabilidade de divulgar uma cultura levou-me a querer estudar, ainda mais a fundo, as tradições das coisas portuguesas, para que eu pudesse estar à altura do compromisso assumido, corresponder ao meu público e mostrar muita seriedade no trabalho desenvolvido. É lógico que a música portuguesa no mercado não é tão fácil como outros estilos musicais, as dificuldades existem, mas se nós acreditarmos no que fazemos, e que fazemos com amor...tudo vale a pena, quando a alma não é pequena!
(T): O facto de viver no Brasil, longe das origens do fado, faz com que as pessoas olhem de outra forma para a sua carreira?
(MG): Não. Quando me apresento nos espectáculos procuro levar ao público as verdadeiras tradições portuguesas. Desde a maneira de vestir, do cantar, até à celebre chamada, silêncio que se vai cantar o fado, tudo é respeitado.Entra-se num clima total de entrega à música portuguesa, e as lembranças das pessoas, em cada fado que canto, demonstra-se através das lágrimas e na emoção que o público sente. E no final dos espectáculos fico muito satisfeita quando as pessoas me procuram, e para além dos abraços, elogiam o meu trabalho com frases do género, “és uma verdadeira portuguesa a cantar”. Isto é uma emoção muito grande para mim e deixa-me com a sensação de missão cumprida.
(T): Apesar disso a Marly Gonçalves já recebeu alguns prémios de referência?
(MG): Sim. Em 1995, logo no início da minha carreira fui premiada com uma bandeja de prata, que guardo com muito carinho, com os seguintes dizeres: “Marly Gonçalves a revelação do Fado”. Depois em 1998 recebi o Jubileu de Prata do Troféu Brás Cubas, por ser a melhor cantora de fados no Brasil. Em 1999, no fim do espectáculo no Centro Português de Santos, a minha cidade, recebi um convite para ir a Portugal, durante dois meses, para cantar nas casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa. Enfim, a cada apresentação eu sinto-me cada vez mais premiada, seja pelos troféus, ou os simples aplausos, mas o carinho do público é sem dúvida nenhuma o melhor prémio que se pode receber.
(T): Após um hiato de 8 anos vai sair agora um novo álbum. Que novidades é que já podem ser reveladas?
(MG): Por enquanto, continuo em fase de negociação com os patrocionadores para um segundo cd, mas estou já a trabalhar nele e a esboçar as músicas que irei colocar neste segundo álbum. Para já não posso adiantar muito mais.
(T): Para quando um concerto aqui na Lousã, a terra de origem dos seus pais?
(MG): Bom, isso tudo depende de um convite dos lousanenses. Certamente vou saber esperar, embora que anciosamente. Talvez depois do lançamento do segundo CD a oportunidade surja. Entretanto resta-me continuar a divulgar a música portuguesa, por quase todos os estados brasileiros.
(T): A terminar gostaria de deixar alguma mensagem?
(MG): É claro que sim. Ao jornal Trevim o meu muito obrigada pela oportunidade para a divulgação do meu trabalho. Pedindo de todo o coração que nunca deixem de usar este veículo de comunicação para estreitar cada vez mais a distância de duas pátrias irmãs, o Brasil e Portugal. E aos lousanenses o meu sincero respeito e carinho desta filha adoptada.
Jorge M. Alexandre 19 Março 2008
Segunda-feira, 31 de Março de 2008
Quinta-feira, 13 de Março de 2008
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
Ribeirão Pires homenageia Portugal com a 1ª Noite Portuguesa
Vermelho, verde e amarelo: foram essas as cores que enfeitaram a 1ª Noite Portuguesa da cidade realizada dia 9 de junho. As cores da bandeira Portuguesa estavam presentes no Ribeirão Pires Futebol Clube O evento contou com a presença de mais de 400 convidados e foi uma parceria entre a Secretaria de Educação, Cultura, Turismo e Desenvolvimento e a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Ribeirão Pires.
Para o jantar havia o prato típico Bacalhau à Portuguesa. Foram servidos também estrogonofe e espaguete. Tudo, claro, acompanhado de vinho tinto seco e suave.
Entre os convidados, estiveram presentes o Prefeito Clóvis Volpi, a primeira-dama, Lígia Volpi e outras autoridades. O Desembargador da Republica, Antonio Roberto Middla, neto de portugueses, aproveitou a festa com a família. “A festa é maravilhosa. É interessante a realização do evento, pois há muitos descendentes de portugueses em Ribeirão Pires, além de ser uma reunião de amigos e família”.
Durante o jantar, a cantora de fado Marli Gonçalves encantou a todos com sucessos portugueses e com sua voz.Também esteve presente o grupo folclórico Casa de Portugal apresentadas músicas e danças típicas.
Para o jantar havia o prato típico Bacalhau à Portuguesa. Foram servidos também estrogonofe e espaguete. Tudo, claro, acompanhado de vinho tinto seco e suave.
Entre os convidados, estiveram presentes o Prefeito Clóvis Volpi, a primeira-dama, Lígia Volpi e outras autoridades. O Desembargador da Republica, Antonio Roberto Middla, neto de portugueses, aproveitou a festa com a família. “A festa é maravilhosa. É interessante a realização do evento, pois há muitos descendentes de portugueses em Ribeirão Pires, além de ser uma reunião de amigos e família”.
Durante o jantar, a cantora de fado Marli Gonçalves encantou a todos com sucessos portugueses e com sua voz.Também esteve presente o grupo folclórico Casa de Portugal apresentadas músicas e danças típicas.
RICARDO ARAÚJO !!!!!
CONTRATE !!!!!
Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
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